Quando o amor perde o rosto

Quando o amor perde o rosto

Quando o amor perde o rosto

Um fiasco deixa de ser

E o combate esta por acontecer.

 

Só quem se curva ao amor

Sabe curar cada etapa da ferida.

Sabe se portar no dia da despedida

 

Só aquele que já amou

Sabe que lembranças não são torturas.

Que promessas sobrevivem de aventuras

 

Só aquele que ama

Pode aprender com as palavras

Impedir que o mundo lhe remova a alma.

 

Só quem encara o amor

Doa-lhe certo entendimento

Para calcificar o ferimento.

 

Só quem ama ou amou

Pode se perder do tempo

Sem notar a embriagues do momento.

 

Enide Santos 27.06.17

A menina do jardim

A menina do jardim

 

Em uma casinha muito simples que ficava bem no alto da montanha,

morava uma senhora e seu nome era Dália.

Morava sozinha não se sabe bem porque, mas parecia estar sempre feliz.

Todos que a conheciam sempre diziam que não entendiam como alguém que estava sempre distante de tudo sem ter ninguém para conversar poderia esta sempre assim; doces palavras nos lábio, olhos sempre brilhantes e sorriso de encantar qualquer estrela ou até mesmo o mar.

Dália já com seus cabelos da cor das nuvens, dela exalava um perfume que não tem explicação talvez fosse por conta do seu jardim.

Ah o seu jardim! O lugar mais lindo do mundo, sempre florido e muito aromático.

Como sempre fazia todas as manhãs Dália estava cuidando de seu jardim quando ouviu alguém chamado-a

-Vovó Dália!

Mas era um som que parecia muito distante, porém ela respondeu.

-Olá, quem é? Onde você esta?

Sorrindo de si mesma Dália diz:

-É estou mesmo ficando velha e cansada, como se não bastasse eu passar o tempo todo conversando com vocês agora também as estou ouvindo.

Imediatamente um das plantas moveu suas folhas com muita determinação.

Bom para um lugar onde vento não poderia estar logo ela supôs que aquela planta estava mesmo precisando de atenção. Dedicou-se a ela confessando seus segredos dando-lhe carinho e muita afeição.

Como em um passe de mágica a plantinha tinha se transformado em uma linda menina de semblante sereno e voz aveludada, com os olhos molhados aproximou-se dela deitou-se em seu colo e lhe disse:

Bem que a fada do jardim me disse que se eu acreditasse com amor e verdade o meu sonho se tornaria realidade.

Agora sou a menina do jardim da Dália.

E assim ambas viveram felizes para sempre cuidando do jardim.

 

Enide Santos e Crystian 15/12/15

Vaso oco do tempo

Vaso oco do tempo

Dono de todas as cores

Morto de sentimento

Abarrotado do nada

Enferruja caminhos

Desmorona estrada

Vaso fundo do tempo

Mestre da lembrança

Aprendiz na distância

Rígido com as horas

Rico de histórias

Rouco de memória

Vaso fino do tempo

Intransferível

Insubstituível

Indefinível.

Enide Santos 06/01/15

Livre arbítrio

Livre arbítrio

Como posso ser o que nunca fui?

Descrever o que sentir, sem ser?

Queria eu ser a sensação

Da folha ao tocar no chão.

Também queria ser o chão

E dar-lhe majestosa recepção.

O som do trovão queria eu ser

E ecoar mostrando poder

E da noite ser a mão

Para a aurora dar proteção.

Tantas e tantas coisas queria eu ser.

Ser o silencio que só no ventre do vento há.

A distância que cada gota na chuva se dá.

Ser o burburinho na vida do ar.

Querendo ser sou.

Sou a musica que invento

E digo que quem gosta é o tempo.

Sou a sede da aurora

E para ela domo minha história.

Sou a morte do grito

O fim de seu rito

Sou a fome a sede da vida

Sou o punho cerrado

Do livre arbítrio.

Eu sou um mito.

Sou poeta

E querendo ser

Eu sou.

Enide Santos 22/11/14

Epístola- 19

Fragmentos de mim

Regressando do amor…

Uma bagagem pesada repleta de dores e de saudades, farto de emoções e ilusões.

Dormi tantos dias com teu amor aquietado ao meu coração.

E em tantos outros quando acordava, sorria, sabia que era por você que aflorava a minha paixão, e ao me deparar com o dia em que todas suas horas estão vagas de ti.

Ah! Meu Deus talvez fosse mais fácil apenas dormir e dormir.

Agora a noite repousa em meu peito, dosa de instantes vagos os meus sonhos.

Resta-me acolher as dores das lembranças e das saudades que hão de perdurar sem pedir licença.Tenho agora a sensação do nada e poder do tudo ao meu dispor.

Mas estou frágil demais até mesmo para chorar porque sinto pesar por você não ver as minhas lágrimas, por não presenciar toda intensidade do que elas realmente significam, a elas não são dadas o devido valor. (Parece que o mar verte de mim).

Tenho que arrancar as raízes que estão presas a minha alma, sem ter o direito de fraquejar, e tenho a obrigação de aceitar que você simplesmente se vá.

Está intacto em mim o amor.

E nada mais sou agora que um vândalo exterminador.

Eu era amor e paixão

Agora sou aniquilação.

Recolho-me ao silêncio que se faz em mim.

E por todas as outras forças da natureza permaneço.

Hoje quando acordo ainda me vejo, ainda sou eu sem ti

Sou eu com todas as outras coisas do mundo que não substituem você.

Mas sou eu com todas as outras coisas regressando do amor.

Enide Santos 21/09/14

Passageiro do nada

Picotou-me o coração a vida.
E para sempre me quer assim.
Faz-me sentir não credora de mim.
Culpa-me por respirar,
E por não valorizar este ato de amar.

Rapinou-me a mente a morte,
Sem traumas me parou.
Debruçou-se sobre mim
E as chamas da vida,
Uma a uma de mim arrebatou.

Desfez-se de mim o tempo,
Que nem para a morte
Nem para a vida me entregou.
E sobre meu corpo, vivo morto.
O tempo se largou.

Enide Santos 30/10/14